309 – BODAS DE SANGUE Direção: Carlos Saura
Roteiro: Antonio Artero, Antonio Gades, Carlos Saura Música Original: Emilio de Diego Coreografia: Antonio Gades País: Espanha, França Gênero: Drama, Dança
Prêmios: Festival de Montréal, Canadá – Prêmio Especial do Festival (Carlos Saura)
Nos camarins e no palco, dançarinos preparam-se para o ensaio geral de um espetáculo, dividido em seis partes: Iniciada a primeira parte, a mãe do noivo fala com ele sobre os assassinatos de seu esposo e do filho mais velho. Devido a essas mortes, ela não suporta qualquer tipo de arma, especialmente as facas. Em seguida, conversa sobre o trabalho no vinhedo. Ao descobrir uma faca com o filho, ela a toma e a esconde. Através de uma vizinha, toma conhecimento que a noiva teve no passado um relacionamento com Leonardo Félix, um jovem pertencente à família dos assassinos de seus marido e filho. Na segunda parte, a sogra e a esposa de Leonardo embalam seu pequeno filho cantando uma canção de ninar. Quando ele chega, elas reclamam de seu comportamento estranho, o que se torna mais sério quando vem à tona o assunto do casamento que está
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prestes a acontecer. Sua mulher demonstra um ciúme enfurecido por acreditar que o marido acha-se apaixonado pela noiva. Na terceira parte, Leonardo e sua amada, a noiva prometida a outro, aparecem como num sonho onde, juntos, sentem-se felizes e realizados. Na quarta parte, ocorre a cerimônia do esperado casamento, marcada por muita música e dança. Num momento em que a noiva fica sozinha, Leonardo a tira para dançar. Os dois sentem-se felizes por se acharem abraçados, o que provoca ciúmes da esposa de Leonardo e a ira do noivo. Ao final, os dois fogem a cavalo.Na quinta parte, embora odeie quaisquer tipos de armas e, em especial, as facas, a mãe do noivo lhe devolve a faca que havia escondido. Tal atitude representa seu consentimento para que o filho lave sua honra manchada pela traição.
Na sexta e última parte, o agora esposo abandonado parte em perseguição ao casal fugitivo. Ao encontrá-los, dá-se uma dramática luta com facas, a qual termina com os dois homens mortos aos pés da jovem recém-casada.
310 – ANA E OS LOBOS – Direção: Carlos Saura
Gênero: Arte Ano: 1972 Elenco: Geraldine Chaplin, Charo Soriano, Fernando Fernán Gómez
é uma obra dirigida por um dos mais importantes diretores da Espanha, Carlos Saura. Severo crítico da ditadura de Franco, Saura criou para o cinema belas histórias, premiadas nos principais festivais internacionais.
Nesta obra-prima, Ana (Geraldine Chaplin) é uma jovem contratada para trabalhar como governanta em uma mansão no campo da Espanha. Mas sua beleza aguça o desejo deprimido de três irmãos que vivem na casa: o místico Fernando (Fernando Fernán Gómez), que representa a Igreja Católica; José (José Maria Prada), o Exército e Juan (José Vivo), o sexo oprimido. Em silêncio, Ana nada faz para impedi-los e passivamente se submete aos desejos dos seus senhores, assim como o inocente povo espanhol durante o período franquista. Um filme impressionante, comovente e sensível.
311 – CASA NOVA E A REVOLUÇÃO Direção Ettore Scola
Cinema Europeu Atores Jean-Louis Barrault, Marcello Mastroianni, Hanna Schygulla, Harvey Keitel, Jean-Claude Brialy, , Idioma Francês, Italiano, Legendas Português, Ano de produção 1982 País de produção Itália, França, Duração 122 min.
um dos melhores filmes sobre a Revolução Francesa, e um dos grandes trabalhos do cineasta Ettore Scola. França, 21 de junho de 1791. O rei Luís XVI e sua família tentam fugir de carruagem do país. Na mesma estrada, segue uma outra diligência, com o sedutor Giacomo Casanova, o escritor Restif de la Bretonne, o liberal inglês Thomas Paine, uma misteriosa condessa, entre outras personagens históricas e fictícias. Quando chegam a Varennes, testemunham a prisão da família real e passam a noite discutindo sobre a vida, o amor e a política.
312 – CONCORRENCIA DESLEAL Ettore Scola
O filme Concorrência Desleal (Concorrenza Sleale, 2001) do cineasta italiano Ettore Scola é ambientado no auge do fascimo e à beira da Segunda Guerra Mundial. Entretanto, a questão judaica é apenas um fio-condutor para o enfoque principal do filme: a ética nas relações comerciais.
O alfaiate Umberto (Diego Abantantuono) e o lojista judeu Leone (Sergio Castellito) são dois comerciantes vizinhos que se envolvem em trapaças na disputa pela clientela.
313 – JUVENTUDE TRANSVIADA Diretor: Nicholas Ray
Rebel without a Cause (EUA, 1955)
Elenco: James Dean, Natalie Wood, Jim Backus, Sal Mineo,
Idioma: Inglês e Português
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Chinês, Coreano, Indonésio
Gênero: Drama
Duração: 111 min. Cor
Ao entrar na nova escola, um adolescente incompreendido entra em conflito com uma gangue de rebeldes e participa de um desafio mortal. Além disso, ele se envolve com a ex-namorada do rival e com um garoto mais novo que o idolatra.

Vale a pena sonhar retrata os sonhos e utopias de uma geração de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à luta pela justiça, liberdade e democracia, tendo como fio condutor a história de Apolônio de Carvalho. Sua luta, sem fronteiras, junto aos republicanos na Guerra Civil Espanhola, na Resistência Francesa contra o nazismo e no combate à ditadura militar no Brasil nos anos 60, assim como fatos da vida cotidiana e familiar de militante de esquerda que assina a ficha número 1 de filiação do PT.
Edição Especial em DVD duplo, com mais de 300 minutos de extras, e com menus e legendas em quatro idiomas: inglês, espanhol, francês e português.
DIA 16-3-2008
ESTAMIRA: MISSÃO CUMPRIDA
Por LUIZ FERNANDO GALLEGO
28/7/2006
O filme Estamira revela antes de mais nada o respeito à escuta do outro, do diferente, do estranho. Estranho que, entretanto, nos é familiar de alguma forma. Como não admirar – e concordar – com a frase dita por uma doente mental crônica segundo a qual “não existem mais ´inocentes´, mas sim ´espertos ao contrário´ ” ?
Em uma cidade, um estado e um país mergulhados num sufocante lixo ético, o “lixão” de Gramacho, nem tão longe da decantada “Cidade Maravilhosa”, se transforma numa metáfora deprimente do estado a que chegamos. Com humor que nos atenua as dores intoleráveis, o “Barão de Itararé” assim chamava o “Estado Novo” getulista: o estado a que chegamos. Como chamar o atual estado de coisas a que chegamos?
Não nos iludimos achando que os inúmeros traumas e vicissitudes pelas quais passou a personagem real que dá título ao documentário de Marcos Prado teriam sido “a causa” de sua doença mental. Sua mãe também necessitou de tratamentos psiquiátricos. Uma tendência desfavorável já a acompanhava geneticamente. Mas sua história de vida (que o filme vai desvendando aos poucos), sua especificidade e sua subjetividade – única e irreproduzível – estão inscritas em seus delírios, alucinações e modo de estar no mundo. Nada é gratuito, tudo é revelado, desvelado ou re-escrito na forma de Dona Estamira se apresentar. Seu discurso pode chegar a formular lições de sabedoria, mas, antes de tudo, expõe sua percepção peculiar de si mesma e do mundo em que nos encontramos: delirante e sábia, confusa e cristalina, atordoante e provocadora de reflexão.
Quando o fotógrafo Marcos Prado, ainda no ano 2.000, encontrou Dona Estamira no Lixão que ele fotografava, ela lhe teria dito que tinha uma missão: revelar “a verdade”. Perguntou-lhe se sabia qual era a missão dele. Como ele não respondesse logo, ela anunciou: “Sua missão é revelar a minha missão”.
Sem se furtar à profecia oracular, Marcos Prado aceitou o papel que a louca do “lixão” lhe apontou. Durante anos seguidos visitou repetidamente Estamira e seus filhos em casa assim como não deixou de ir filmar Estamira e seus companheiros, catadores como ela, no enorme e insalubre depósito de todo o lixo da cidade do Rio de Janeiro. Registrou cenas a cores com a iluminação natural; outras em preto-e-branco granulado quase chegando à desintegração da imagem; outras ainda em exemplar trabalho do fotógrafo que sempre foi. O pathos atingido pela apresentação áudio-visual é impactante, não podendo deixar de ser mencionada a presença apoiadora da exemplar trilha musical de Décio Rocha.
Incrível, no entanto, é constatar que esta é uma primeira obra para cinema. Em seu ritmo envolvente, seu diálogo com a entrevistada e a aproximação que vai fazendo gradualmente com a platéia, o filme é surpreendente em sua sintaxe, elegante em sua gramática, contundente na emoção evidente com a qual foi feito e que transmite em cada passagem.
Não cai na armadilha da idealização ingênua (nem há mais ingênuos, já anunciou o filme logo no início): Estamira pode se mostrar arrogante, verbalmente agressiva, até mesmo desagradável. Mas Marcos permite que ela se faça ouvir. E ao registrá-la faz com que escutemos sua revolta contra um “Deus estuprador” e contra médicos “copiadores” de receitas. Origens e meios são contestados e questionados. Anos depois do próprio cinema, hoje clássico, de Ingmar Bergman questionar o “silêncio de Deus” – e ainda antes do atual Papa tentar deslocar a responsabilidade dos homens para a ausência de Deus durante os horrores do Holocausto – Estamira, o filme e a personagem, denunciam o desamparo humano, não só filogenético ou ontogenético, mas também social, econômico e político. Assim como são questionadas as condições dos hospitais psiquiátricos, dos ambulatórios, dos tratamentos reduzidos à prescrição (ainda que adequada) de medicações potentes que podem até mesmo minimizar os abismos das psicoses, mas onde se corre o risco de deixar de lado a escuta do Outro, da alteridade – tudo isso e muito mais são expostos como um nervo vivo.
E o cineasta, sem proselitismo nem vassalagem, através de uma linguagem cinematográfica grave e comunicativa nos faz refletir muito mais ainda sobre uma realidade que nos parece insuportável de ser vivida, mas aonde a vida surpreendentemente se preserva da única forma que parece possível: louca. Como nos parece ensandecida uma das imagens finais do filme onde, ao longe, se vê o perfil deslumbrante dos morros do Rio de Janeiro, mas em primeiro plano nada mais do que o lixo. Muito lixo.
LUIZ FERNANDO GALLEGO é psicanalista e cinéfilo, coordenador dos debates cinematográficos do SESC-Flamengo (Rio).
DIA 13 DE JANEIRO DOMINGO
Crítica do filme Terra em Transe, que estréia nos cinemas em cópia restaurada
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POR CLÉBER EDUARDO
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Qual o sentido de se assistir Terra em Transe quase 40 anos depois de sua realização? A primeira expectativa para quem não o conhece ou viu há muitos anos é de apreensão. Não seria esse um daqueles filmes datados dos anos 60, cheio de alegorias políticas indecifráveis e de opções estilísticas descabidas para nosso olhar de hoje, que pouco dizem de nossa sociedade e ainda menos para nosso cinema? Não. Terra em Transe não permanece atual, mas muito adiante de nosso contexto. E não apenas porque sua história de cunho diretamente político, envolvendo senador, governador e poeta de um país fictício, de nome Eldorado, ainda diz muito de nosso país direta e indiretamente, mas, principalmente, porque sua forma artística apenas ressalta o retrocesso de linguagem do cinema – e não apenas brasileiro.
Tomemos o início como exemplo. Após uma tomada aérea sobre o mar, matas e montanhas, da esquerda para a direita, ouvimos o batucar de instrumentos percursivos, a nos indicar a presença africana na cultura de Eldorado, enquanto a câmera circula por um grupo de pessoas. Cortes secos, planos ligeiros. Mal chegamos ao primeiro minuto de filme e já somos mergulhados no caótico contexto político. Há um golpe em andamento, um grupo pregando a resistência, um intelectual em crise. Usar ou não a força em nome dos ideais políticos? Manter a convicção ou entregar-se ao pragmatismo? Terra em Transe coloca várias perguntas, pontos de vistas variados, mas não oferece respostas fáceis, apesar do tom engajado dos diálogos, que, como são exibidos, revelam sobretudo sua impotência, não sua força transformadora. A imagem de Jardel Filho, o poeta, apontando a arma para o céu, além de um dos planos mais bem compostos de nosso cinema, é também síntese de um espírito: o do desespero que pouco produz
Ao longo da narrativa, cheia de elipses temporais e de espaço, ouvimos vozes e sons se sobrepostos, criando uma dissonância sempre rica em forma e significados. Um poema de Mauro Faustino é exibido na tela, a câmera não cessa de circular, os atores se dispõe geometricamente nos espaços, as cores dos figurinos são pensadas para criar contraste na fotografia, tudo é conceitualizado, embora possa se pensar em soluções de improviso em alguns momentos, mas na verdade improvisos já previstos.
Há um grito de desespero da parte tanto do anti-herói poeta como da parte do povo. E um abismo entre um e outro. O primeiro diz que, como não aguenta o mundo, precisa abrir caminhos, mas, logo depois, acrescenta: ‘nem que seja para abandoná-los’, assumindo compromisso menos com resultados e mais com a luta por eles. Já o povo, se ora é representado por quem mostra disposição para reagir a desmandos (na figura de Emanuel Cavalcanti), ora é definido em voice-over como fraco e obediente, sempre beijando os pés de quem carrega armas ou cruzes, o coronelismo, de todas as instâncias, e a religião. No lado oposto dos dois, há a figura de Paulo Autran, para quem o povo no poder é o descalabro.
Significados políticos à parte, alguns deles ainda muito atuais ou ao menos em contraste com nossa atualidade (um ex-sindicalista na presidência), Terra em Transe permanece, e até mais do que nunca, uma obra de subversão artística. Se nossa produção tem se esmerado em ser realizada com qualidade técnica, além de contar histórias com roteiros nos quais tudo de explica, o filme de Glauber Rocha reflete outro momento, o do cinema moderno brasileiro, no qual a percepção do espectador, antes de ser ensinada a ir por aqui ou por ali, provocada a reagir com liberdade. Há muito o que se aprender com esta obra-prima.
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NOVEMBRO DIA 4 – 18:30H
Dogville
- Ranking: 567º
- Média: 9 (31 votos)
- Direção:
- Lars Von Trier
- Ano:
- 2003
- País:
- Dinamarca, França, Holanda, Noruega, Suécia
- Gênero:
- Drama, Suspense, Thriller
- Duração:
- 178 min. / cor
- Título Original:
- Dogville
- Elenco:
- Ben Gazzara, Nicole Kidman, Lauren Bacall, James Caan, Harriet Andersson, Paul Bettany, Jeremy Davies, Patricia Clarkson, Jean-Marc Barr, Blair Brown
- Sinopse:
- Anos 30. Fugindo de um bando de gângsters, Grace chega a Dogville, uma pequena cidade americana. Com o auxílio de Tom, ela consegue ser aceita na comunidade. Em troca de pequenos serviços, os moradores irão ajudá-la a se esconder. Porém, Grace percebe que terá que pagar um preço muito alto quando a procura por ela começa a se intensificar.
-
NOVEMBRO DIA 11 – 18:30H
Manderlay
- Direção:
- Lars Von Trier
- Ano:
- 2005
- País:
- Dinamarca, Suécia, Holanda, França, Alemanha
- Gênero:
- Drama
- Duração:
- 139 min. / cor
- Título Original:
- Manderlay
- Elenco:
- Bryce Dallas Howard, Isaach De Bankolé, Danny Glover, Willem Dafoe, Michael Biteboul, Lauren Bacall, Jean-Marc Barr, Geoffrey Bateman, Virgile Bramley, Ruben Brinkman, Dona Croll
NOVEMBRO DIA 18 – 18:30H
Dançando no Escuro
- Lars Von Trier
- Ano:
- 2000
- País:
- Alemanha, Dinamarca, França, Holanda, Inglaterra
- Gênero:
- Drama, Musical
- Duração:
- 140 min. / cor
- Título Original:
- Dancer in the Dark
- Elenco:
- Peter Stormare, Catherine Deneuve, Joel Grey, David Morse, Cara Seymour, Siobhan Fallon, Jean-Marc Barr, Björk, Vladica Kostic, Vincent Paterson
- Sinopse:
- Mãe-solteira, Selma é uma tcheca morando nos Estados Unidos e portadora de uma doença hereditária que a está deixando cega. Em meio às dificuldades, ela tenta juntar dinheiro para pagar uma operação para o filho, evitando que ele tenha o mesmo destino que o seu.
- Por que assistir?
- Vencedor da Palma de Ouro em Cannes.
28 DE OUTUBRO – 18,30H
- Direção:
- Jean-Pierre Jeunet
- Ano:
- 2001
- País:
- Alemanha, França
- Gênero:
- Comédia, Drama, Romance
- Duração:
- 122 min. / cor
- Título Original:
- Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain
- Título em inglês:
- Amelie
- Elenco:
- Claire Maurier, Rufus, Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Dominique Pinon, Serge Merlin, Lorella Cravotta, Jamel Debbouze, Clotilde Mollet, Isabelle Nanty
- Sinopse:
- Uma jovem do subúrbio se muda para Paris e, após devolver um objeto encontrado ao seu antigo dono, passa a ajudar as pessoas que a cercam através de pequenos gestos.
- Por que assistir?
- Este filme deu novo impulso ao cinema francês. Foi assistido por mais de 20 milhões e recebeu cinco indicações ao Oscar.
EXIBIÇÃO DOS DOCUMENTÁRIOS EM OUT/07 – DIA 06
ÀS 17H – ERNESTO, HOMEM, COMPANHEIRO, AMIGO…
ÀS 19H – CUANDO PIENSO EN CHE
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“Crianças Invisíveis” é filme coletivo internacional, com Spike Lee e Kátia Lund
Cena do curta dirigido por John Woo em Crianças Invisíveis |
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SÃO PAULO (Reuters) – A dramática situação das crianças no mundo foi o motivo do esforço dos produtores italianos Chiara Tilesi e Stefano Veneruso para montar “Crianças Invisíveis”, projeto cinematográfico coletivo, assinado por oito diretores, incluindo uma brasileira, Kátia Lund.
Lund, co-diretora de “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, dirigiu “Bilu & João”, filmado nas ruas de São Paulo.
De todos os segmentos, este é talvez o que consegue imprimir mais doçura, mantendo aberta uma janela de esperança para os dois pré-adolescentes interpretados por Vera Fernandes e Francisco Anawake, que sobrevivem de um duro trabalho — catar nas ruas restos de papelão e metal.
Sem pieguice, a brasileira firma um dos traços marcantes deste trabalho coletivo — crianças são crianças e mantêm uma inabalável disposição para sonhar e resistir, por mais que as condições em torno delas sejam tantas vezes quase insuportáveis.
Com realismo, porém, o episódio delineia um quadro de pobreza urbana em que existem ainda muitas formas de intervenção possíveis.
Os demais segmentos do longa-metragem trazem também a marca de seus realizadores. Fazendo jus à sua fama de polêmico, o diretor norte-americano Spike Lee assina um dos mais contundentes, “Jesus Children of America”.
A protagonista é Blanca (Hannah Hodson), de 13 anos, que é lançada dentro de um verdadeiro pesadelo devido ao fato de ser portadora do vírus HIV. Por conta disso, é discriminada na escola, chamada de “AIDS baby”. Político como sempre, o diretor retrata o personagem do pai da menina como um veterano da Guerra do Golfo que se tornou viciado em heroína e, por isso, contraiu a doença.
Uma família disfuncional persegue o protagonista do episódio “Ciro”, do italiano Stefano Veneruso (um dos produtores). Ciro (Daniele Vicorito) é um adolescente que deixou para trás pais negligentes e passou a sustentar-se através do roubo nas perigosas ruas de Nápoles.
O universo de menores infratores figura igualmente no ambiente de “Blue Gypsy”, do diretor bósnio Emir Kusturica. Atenuando o estereótipo de tantas histórias sombrias no cenário dos reformatórios, Kusturica inventa um protagonista, o menino Uros (Uros Milovanovich), que não quer sair dali, pois sente-se curiosamente protegido nesta situação. Fora de seus muros, sabe que o pai o forçará novamente a roubar.
Muito mais drástica é a situação dos garotos do episódio “Tanza”, o único ambientado na África, e dirigido pelo argelino Mehdi Charef.
Ele opta por um registro naturalista e, sem identificar o país, constrói uma história dolorosamente comum aos quatro cantos do continente africano, onde guerras civis colocam armas nas mãos de milícias juvenis. No cabo da metralhadora de um destes meninos, vê-se um adesivo com o rosto de Ronaldo, o fenômeno do futebol brasileiro.
Num tom inteiramente distinto de seu estilo, o famoso diretor de filmes de ação chinês John Woo assina o episódio “Son Son & Little Mão”. Filmada na China, a história expõe a aguda diferença social entre duas garotinhas da mesma idade, uma rica e outra órfã, vendedora de flores nos faróis de uma metrópole.
O episódio mais atípico é “Jonathan”, dos ingleses Jordan Scott e Ridley Scott (ela, filha do famoso diretor Ridley). Um fotógrafo de guerra (David Thewlis) vive assombrado pelo horror das situações que retratou em conflitos e encontra a salvação de sua alma numa fantasia em que revisita a si mesmo quando menino. Um sentimento que poderá, afinal, contagiar os espectadores deste filme delicado e fundamental.
O longa recebeu o apoio da atriz Maria Grazia Cucinota (a musa de “O Carteiro e o Poeta”) e da UNICEF e WFP (World Food Program). A renda do filme será revertida em favor destas duas organizações, ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU). O longa estréia em todo país nesta sexta-feira, em cerca de 20 cópias.
(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)
1900
- Direção:
- Bernardo Bertolucci
- Ano:
- 1976
- País:
- Alemanha, França, Itália
- Gênero:
- Drama, Guerra
- Duração:
- 245 min. / cor
- Título Original:
- 1900
- Elenco:
- Gérard Depardieu, Robert De Niro, Dominique Sanda, Stefania Sandrelli, Donald Sutherland, Burt Lancaster, Sterling Hayden, Francesca Bertini, Laura Betti, Werner Bruhns, Stefania Casini, Anna Henkel, Ellen Schwiers, Alida Valli, Romolo Valli
- Sinopse:
- O filme acompanha as vidas e a relação de dois homens, o filho de um camponês e o de um fazendeiro, na Itália, de 1900 a 1945. Nesse período, surge e cresce o fascismo e, em contraposição, o comunismo, o que vai afetar a vida dos personagens centrais.






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